quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A louca do quarto

Pra onde vai o amor? De manhã eu preciso ajudar a minha mãe, depois tenho que me arrumar e às 13:10 em ponto preciso estar na escola. Pra onde vai o amor? Quero aparecer perto da sua rua, ir à sua casa correndo porque essa pergunta precisa ser feita de peito ofegante. Pra onde vai o amor? Você tem uma promessa de emprego. E tem uma família, amigos, internet, muitas músicas, um cabelo ondulado, um apelido bacana, uma ex namorada universitária, dezenas de garotinhas apaixonadas. Pra onde vai o amor? Porque quando sentamos naquela praça e você me perguntou "quanto tempo você demora pra dizer que ama?". Porque quando você me mandou aquela mensagem instantânea falando que dormiu bem quando me conheceu. Porque a gente estava tão nervoso no dia de você conhecer meus pais. Pra onde vai o amor? O que você fez com o seu? Deu descarga? O que eu faço com o meu? Dai eu te ligo, escondida no silêncio do meu quarto. Chorando horrores. E te peço desculpas. "Eu sei que faz pouco tempo que estamos juntos mas o que você fez com o nosso amor?". Por que você ficou frio e sumiu e esqueceu e secou e matou e deletou e resolveu e foi? E você diz que está ocupado e eu me sinto idiota. Me sinto esfolada viva pelo mundo. Me sinto enganada por anjos. Me sinto inteira uma enganação. Respiro mentiras. Visto desculpas. Acho disfarces. Porque a gente estava sim se amando, mas você correu pra levantar antes a bandeira do "se fudeu trouxa, o amor não existe". Justo você que eu escolhi pra fugir comigo das feiúras do mundo. Porque você me emprestava à mão sentado ao meu lado e pedia colo vendo TV e escondia as meias suadas quando eu chegava antes do que você esperava. E você me perguntava o tempo todo se eu percebia como era legal a gente. E então, só pra fazer parte da merda universal de toda a bosta da vida, você se bandeou pro lado do impossível e se foi e me deixou como louca, escondida no quarto chorando, te perguntando pra onde foi o amor. E você riu e disse "mas eu só estou fazendo minhas coisas". E eu me senti idiota e louca e chata e isso foi muito cruel ainda que seja tão normal. Normal não me serve não encaixa não acalma. E eu achei que a gente podia ter uma bolha nossa pra ser louco e improvável e protegido do lugar comum do mundo mediano adulto das pessoas que riem e fazem suas coisas. E tudo ficou feio, até você que é lindo ficou feio. E eu quis me fazer cortes. Porque viver é difícil demais. E todo mundo me olhando, rindo, fazendo suas coisas. E daqui a pouco eu rindo e fazendo minhas coisas. E no fundo, abafado, dolorido, retraído, medicado, maduro, podre: onde está o amor? Onde ele vai parar? Onde ele deixou de nascer? Onde ele morreu sem ser? Porque eu sigo fazendo de conta que é isso. As pessoas seguem fazendo de conta que é isso. E por dentro, mais em alguns, quase nada em outros, ainda grita a pergunta. O mundo inteiro está embaixo agora do seu lindo e refinado e chique e grupo de amigos. Gritando nas janelas, batendo nas portas, tirando você da sua conversa: o que você fez com o amor? Esse dinheiro todo, essa responsabilidade toda, esses milhões todos, essas pessoas todas que você quer que te achem bacana. E o amor, o que você fez com ele? Enfiou no cu? Colocou na lata de lixo? Reaproveitou a folha pra escrever atrás? Reciclou? Remarcou pra daqui dois anos? Cancelou? Reagendou o amor? Demitiu o amor? É o amor que vai fazer você ser isso tudo e não isso tudo que você usa pra dar essas desculpas pro amor. Porque quando eu sentei no cantinho da cama e você me falou coisas bonitas. Porque quando você ficou nervoso porque queria me dizer que naquele minuto não estava me amando porque você acha que amor é isso além do que você pode. Amor é só o que você já estava podendo. O que você fez com esse pouco que virou nada? Com o muito que poderia virar? Eu estranha, descabelada, magra, borrada, instável, estou na porta, esperando você, por favor, me ensina, o que fazer, vou fazer o mesmo com o meu. Vou mandar junto com o seu. Nosso amor pro inferno, longe, explodido, nada. E a gente lanchando em paz falando sobre o tempo e as pessoas escrotas e o filme da tarde. Bela merda isso tudo, bela merda você, bela merda eu, bela merda todos os sobreviventes que riem e fazem suas coisas e lancham e falam de filmes. E por dentro o buraco gigante preenchido por antidepressivos, ansiolíticos, calmantes, cervejas, maconhas, viagens e mais reuniões. Pra onde foi o amor? De pé seguimos pra nunca saber, pra nunca responder, pra nunca entender. Pra onde? Você lendo o texto mais lindo da minha vida sobre o último dia feliz da minha vida, você esperando seu pai chegar de viagem, você me contando isso tudo baixinho e eu sentindo tantas milhares de coisas lindas, você falando da merda boiando e a dor dos seus fins de amor, você deitado com seus cabelos virados para o meu nariz, você fazendo a piada sobre a maioria das coisas, você por um ano e meio e tanto amor. Todos os cheiros de todos os seus cantos. E agora eu louca porque não se pode sentir, porque senti sozinha, porque não se pode sentir em tão pouco tempo. Que tempo é esse quando o amor se apresenta tão mais forte e sábio que as regras de proteção? Quem quer pensar em acento flutuante quando se está voando? Quem quer pensar em pouso de emergência quando se está chegando em outro mundo melhor? E agora nada e você nada e tudo nada. O amor no planeta das canetas Bic que somem. O amor mais um como se pudesse ser mais um. O amor da vida de um ano e meio. Você com medo de ser mais um e você único e tanto amor e tão pouco tempo. O que você fez com ele para eu nunca fazer igual? Eu prefiro ser quem te espera na porta pra entender. Eu prefiro ser quem te espera na outra linha pra entender. Eu prefiro ser a louca do quarto enquanto o mundo ri e faz suas coisas. Do que ser quem se tranca nessas salas infinitas pra nunca entender ou fazer que não sente ou não poder sentir ou ser sem tempo de sentir ou ser esquecido e finalmente não ser.
 Adaptação de texto de Tati Bernardi (for: Josy Gomes)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Atualizações...

Caros leitores (no máximo seis amigos que lêem), esse humilde e tosco blog de garota de 12 anos (sim, eu tenho 15. O doze é provavelmente a idade mental) vai ser reformulado e reorganizado.  Para isso aqui não virar uma bagunça, ele será dividido em sessões que não terão ordem de postagem. A auto-ajuda aziada vai continuar, porque ele foi feito inicialmente para este fim, mas serão acrescentados mais alguns assuntos que não interessam a sociedade, mas que recheiam a minha cabecinha tola. Irei dividir nas seguintes sessões: auto-ajuda, dicas de moda e beleza (isso aqui é um blog principalmente de garotas), histórias (ainda tô começando nesse ramo), protestos direcionados a essa sociedade hipócrita, citações de autores que eu gosto, humor, músicas, adaptações de alguns textos e claro os textos que eu faço por falta de um diário.
Se gostar das mudanças, continue lendo e indique a algumas amigas ou amigos, senão vá se catar (eu tenho meus seis amigos que vão ler por consideração a mim). Agora se quiser saber o porquê da mudança, ai vem a enorme e brilhante explicação: eu sempre escrevi muito e senti a necessidade de parar de deixar esses textos toscos só para mim, então decidi criar esse blog, mas vi que os textos eram variados e a idéia inicial do “Jovens Idosas” não englobava todas as temáticas e se eu fizesse vários blogs, iriam ficar cansativo pra postar e pra divulgar, então resolvi mesclar tudo no “Jovens Idosas”. Afinal quem disse que garotas gostam só das mesmas coisas clichês?!
Pois bem, tudo esclarecido, explicado e acho que entenderam como garotas (ou garotos) inteligentes que são. Beijo e até a minha próxima vinda aqui (amanhã começa a nova palhaçada) *-*