sábado, 30 de julho de 2011

#Sem julgamentos, por favor.


Eu sou lésbica, então eu devo me apaixonar por toda garota que vejo.

         Eu tenho vários amigos homens, então eu devo estar transando com cada um deles.

        Eu sorrio muito, então eu devo ter uma vida perfeita.

        Eu escuto reggae, então eu devo estar chapado.

        Minha opinião interessa, então eu devo ser esnobe.

        Sou negro, então devo ser favelado.

        Sou negro , então devo ser burro.

        Sou mexicano, então devo ser de classe baixa.

        Sou muito atraente, então devo ser uma vadia.

        Eu gosto de beber, então devo ser um alcoolatra.

        Eu não saio com garotos, então eu devo ser lésbica.

        Eu me corto, então devo ser emo.

        Sou bisexual, então devo transar com meu melhor amigo hétero.

        Eu dou risada e sorrio, então eu não posso estar depressivo.

        Eu gosto de passar meu dia em casa, então eu não tenho nenhum amigo.

        Eu sou gay, então devo ser violentado.

        A maioria dos meus amigos são garotos, então eu não posso ser feminina.

        Estou no Tumblr, então eu devo ter zero amigos na vida real.

        Eu sou muçulmano, então eu devo ser um terrorista.

        Eu faço um monte de erros, então eu devo ser retardado.

        Eu defendo fielmente o movimento LGBT, então eu devo ser gay.

        Eu sou de uma familia quebrada, então eu devo ser rebelde.

        Eu curto cores rastafari, então eu devo fumar maconha.

        Eu já transei, então eu devo ser uma piranha.

        Eu errei, então não devo ser digno de confiança.

        Eu sou Filipino, então devo ser uma empregada.

        Eu sou político, então eu devo ser corrupto.

        Eu sou loira, então eu devo ser muito burra.

        Eu estou usando uma camisa preta, então eu devo ser emo.

        Eu uso maquiagem, então eu devo ser chavequeira.

        Eu sou adolescente, então eu devo ser incompreendido.

        Eu sou uma pessoa, então eu devo ser estereotipado.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Só mais uma


Só mais uma. Isso... Nada mais. Mais uma garota comum em meio a multidão. Mais uma adolescente normal como tantas outras. Mais uma que crê que seus dilemas são importantes, seu problemas grandiosos, o mundo conspira contra, mais uma que aprendeu na prática que contos de fada não existem que sonha demais, acredita demais, se arrisca demais e pensa de menos, que rir e chora que tem um mundo próprio. Ela não é a mais bonita, a mais inteligente, a mais divertida, seu sorriso não encanta, não possui talento algum, não tem um milhão de amigos, suas histórias são repetidas e sem graça, sua mente é confusa e é toda contradições. É isso que a faz diferente?! Nada a destaca, emociona, surpreende. Ela ouve rock, bate cabeça, lê livros, conhece músicas, passou em uma prova que centenas de pessoas queriam ter passado, tem amigos que a protegem e a mimam, já teve uma história de amor feliz e trágica, não acredita no tal deus pra que a maioria das pessoas ora, fala palavrões, ri de coisas sem sentido. Mas há outras garotas assim. O que adianta ela rir exageradamente porque a ponte de Londres está caindo e chorar porque se aproxima o aniversário do seu urso de pelúcia?! Ela não é uma garota culta é só uma menina confusa sobre o mundo que a cerca, não irá se destacar pelos seus textos de menina sonhadora, não vai mudar o mundo com a sua vontade de lutar, não vai fazer ninguém se apaixonar pelos seus olhos contornados de preto, seu sotaque estranho ou seu jeito de andar, não encanta com sua mania de querer disfarçar suas imperfeições. Seu vestido e All Star não aparecem diante tantos saltos altos. 1,74m de altura e 55 quilos... E aí?! Esse é o momento de ser gostosa e ela é só mais uma e assim continuará sendo. Perdida nos próprios pensamentos e nas suas ilusões, se anulando de qualquer coisa útil, sem perceber que nesse mundo sobrevivem os mais fortes. Ela é irritada e irritante, é contraditória e não forte. Muito pelo contrário mais uma menina frágil buscando algo que nem ao menos sabe. Jovem tola! Não se dá conta que o mundo não pára pra que ela arrume as coisas, o jeito é nadar contra a corrente, mas do jeito que é despreparada irá se jogar. Mas pensando bem... Talvez seja melhor assim, mais escondida das maldades desse mundo sujo, sem precisar ressaltar a todo instante que tem alguma importância. Sua importância é nula. É... Na hora de cair, a queda é menos brusca. Mais uma, só e somente uma.

Motivos

 
É em vão. É em vão essa gigantesca vontade de entender as coisas. Tenho pensando que o importante é vivê-las e não entendê-las, essa vontade exige esforço desnecessário e somos retidos da possibilidade de aproveitar ainda mais as situações. Eu não tenho porque saber dos porquês eu só tenho que saber da importância dos fatos. São os fatos que me fazem bem ou mal e não os seus motivos. O tanto de oportunidades que perdi pelo meu desejo incessante de refletir sobre tudo, de perguntar, de me questionar se realmente tudo valia a pena. Sim, tudo vale a pena até porque acho que no momento se eu souber aproveitar as chances pior que tá não fica. Eu arrisco, arrisco muito, às vezes caio e me machuco feio, mas o importante é que o arrependimento não chega, pois assim se constrói o aprendizado, assim eu aprendi as lições mais importantes da minha vida. A gente não sobrevive só de amor, as palavras por mais bonitas que sejam muitas vezes são vazias, as pessoas nem sempre são bem intencionadas, são fatos e eu não entendo o porquê, mas isso não signifique que eu não saiba e que eu não os tenha vivenciado. Os porquês são tão relativos, tão complexos e tão confusos. A reflexão sobre eles é um afogamento no seco, a mente viaja em um turbilhão de emoções que corrói que machuca. Antes fosse mais um drama infantil, antes fosse somente carência e falta de algo. Mas é justamente esse algo que eu não sei a resposta, mais respostas faltando nesse quebra-cabeça que é a vida e não sei mais se correr atrás dessas peças valem a pena, talvez só os resultados sejam realmente relevantes, mesmo vazios, mesmo que sempre falte o encaixe correto, o jeito é contentar-se com o fato que a vida não foi feita pra ser fácil e sim pra ser enfrentada. E mesmo confusa, contrária as minhas vontades, me perguntando a todo o instante se as minhas escolhas são as melhores a serem feitas, me questionando o que exatamente estou fazendo com a minha vida... Eu vou seguindo em frente de um jeito torto, mas tendo a única certeza de que voltar atrás não é possível, então o que nos resta é arriscar mesmo sem entender, afinal a vida é pra ser vivida e não entendida.