Só mais uma. Isso... Nada mais. Mais uma garota comum em meio a multidão. Mais uma adolescente normal como tantas outras. Mais uma que crê que seus dilemas são importantes, seu problemas grandiosos, o mundo conspira contra, mais uma que aprendeu na prática que contos de fada não existem que sonha demais, acredita demais, se arrisca demais e pensa de menos, que rir e chora que tem um mundo próprio. Ela não é a mais bonita, a mais inteligente, a mais divertida, seu sorriso não encanta, não possui talento algum, não tem um milhão de amigos, suas histórias são repetidas e sem graça, sua mente é confusa e é toda contradições. É isso que a faz diferente?! Nada a destaca, emociona, surpreende. Ela ouve rock, bate cabeça, lê livros, conhece músicas, passou em uma prova que centenas de pessoas queriam ter passado, tem amigos que a protegem e a mimam, já teve uma história de amor feliz e trágica, não acredita no tal deus pra que a maioria das pessoas ora, fala palavrões, ri de coisas sem sentido. Mas há outras garotas assim. O que adianta ela rir exageradamente porque a ponte de Londres está caindo e chorar porque se aproxima o aniversário do seu urso de pelúcia?! Ela não é uma garota culta é só uma menina confusa sobre o mundo que a cerca, não irá se destacar pelos seus textos de menina sonhadora, não vai mudar o mundo com a sua vontade de lutar, não vai fazer ninguém se apaixonar pelos seus olhos contornados de preto, seu sotaque estranho ou seu jeito de andar, não encanta com sua mania de querer disfarçar suas imperfeições. Seu vestido e All Star não aparecem diante tantos saltos altos. 1,74m de altura e 55 quilos... E aí?! Esse é o momento de ser gostosa e ela é só mais uma e assim continuará sendo. Perdida nos próprios pensamentos e nas suas ilusões, se anulando de qualquer coisa útil, sem perceber que nesse mundo sobrevivem os mais fortes. Ela é irritada e irritante, é contraditória e não forte. Muito pelo contrário mais uma menina frágil buscando algo que nem ao menos sabe. Jovem tola! Não se dá conta que o mundo não pára pra que ela arrume as coisas, o jeito é nadar contra a corrente, mas do jeito que é despreparada irá se jogar. Mas pensando bem... Talvez seja melhor assim, mais escondida das maldades desse mundo sujo, sem precisar ressaltar a todo instante que tem alguma importância. Sua importância é nula. É... Na hora de cair, a queda é menos brusca. Mais uma, só e somente uma.

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